Antibiotic therapy for subclinical mastitis control of lactating cows


Reis, S.R.; Silva, N.; Brescia, M.V.

Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinaria. E Zootecnia 55(6): 651-658

2003


The efficiency of antibiotic therapy to control subclinical mastitis in lactating cows was evaluated. Eighty three udder quarters with subclinical mastitis from three dairy herds were treated with 250mg of cephalothin by intramammary doses. Group 1 included 16 cows in lactation, 15 to 100 days in milk and group 2 included 23 cows in lactation, 101 to 200 days in milk. Therapeutic success was controlled with bacteriological examinations, somatic cells counts (SCC), California Mastitis Test (CMT) and milk production on days zero, 14, 25 and 40 after treatment. Fourteen cows with 28 infected udder quarters were maintained as a control. Staphylococcus aureus and coagulase-negative Staphylococci were the most prevalent microorganism among bacterial. isolates. Other pathogens as Bacillus spp, Corynebacterium bovis, Streptococcus uberis and Escherichia coli were present. Concerning bacteriological healing the intramammary therapy reached a 61.4% elimination rate of pathogenic bacteria at the 14th day post treatment. SCC and CMT reactions were decreased too. However, 40 days post-treatment the differences were not significant (P>0.05). No differences among treated groups before and after intramammary treatment (P>0.05) on milk production were obsened. Antibiotic treatment of lactating cows with subclinical mastitis was not efficient for controlling the udder infections.

Arq.
Bras.
Med.
Vet.
Zootec.,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
Antibioticoterapia
para
controle
da
mastite
subclínica
de
vacas
em
lactação
[Antibiotic
therapy
for
subclinical
mastitis
control
of
lactating
cows]
S.R.
Reis',
N.
Silva
2
,
M.V
.
Brescia
2
'Centro
de
Pesquisa
Ciências
da
Saúde
Instituto
Nacional
de
Pesquisa
da
Amazônia
Caixa
Postal
478
69011-970
Manaus,
AM
2
Escola
de
Veterinária
da
UFMG
Recebido
para
publicação
em
24
de
dezembro
de
2002
Recebido
para
publicação,
após
modificações,
em
2
de
julho
de
2003
E-mail:
reis@inpa.gov.br
RESUMO
Avaliou-se
a
eficiência
da
antibioticoterapia
como
estratégia
para
o
controle
de
mastite
subclínica
em
animais
em
lactação.
Foram
tratados
83
tetos
infectados
de
31
animais
de
três
propriedades
leiteiras,
divididos
em
dois
estádios
da
lactação:15
a
100
dias
(grupo
I)
e
101
a
200
dias
(grupo
II),
com
aplicação
intramamária
de
250mg
de
cefacetril
sódico
(cefalotina).
A
droga
permaneceu
24
horas
dentro
dos
quartos
do
úbere
dos
animais
tratados.
Vinte
e
oito
tetos
de
14
animais
infectados
foram
mantidos
como
controle,
sem
tratamento.
Os
grupos
tratados
e
controle
foram
avaliados
nos
dias
zero,
14,
25
e
40
após
o
tratamento
por
meio
de
provas
de
California
Mastitis
Test
(CMT),
contagem
de
células
somáticas
(CCS),
isolamento
e
identificação
de
patógenos
e
produção
leite.
Staphylococcus
aureus
e
Staphylococcus
coagulase-negativo
foram
os
microrganismos
mais
isolados
(43,1%),
seguidos
por
Bacillus
spp,
Corynebacterium
bovis,
Streptococcus
uberis
e
Escherichia
coli.
Quatorze
dias
após
o
tratamento
houve
redução
de
61,4%
das
infecções
intramamárias
e
acentuada
diminuição
da
CCS
e
de
reações
positivas
ao
CMT
nos
animais
tratados,
nos
dois
estádios
da
lactação.
Entre
os
dias
25
e
40
após
tratamento
as
diferenças
não
foram
significativas
(P>0,05).
Ocorreram
recidivas
ou
reinfecções
nos
tetos
tratados.
O
aumento
de
produção
de
leite
não
foi
significativo
entre
os
animais
tratados
(P>0,05).
A
antibioticoterapia
durante
a
lactação
não
foi
efetiva
para
o
controle
das
mastites
subclínicas,
mesmo
em
animais
que
apresentaram
alta
contagem
de
células
somáticas.
Palavras-chave:
bovino,
mastite
subclínica,
tratamento,
CCS,
CMT,
etiologia
ABSTRACT
The
efficiency
of
antibiotic
therapy
to
control
subclinical
mastitis
in
lactating
cows
was
evaluated.
Eighty
three
udder
quarters
with
subclinical
mastins
from
three
dairy
herds
were
treated
with
250mg
of
cephalothin
by
intramammary
doses.
Group
1
included
16
cows
in
lactation,
15
to
100
days
in
milk
and
group
2
included
23
cows
in
lactation,
101
to
200
days
in
milk.
Therapeutic
success
was
controlled
with
bacteriological
examinations,
somatic
cells
counts
(SCC),
California
Mastitis
Test
(CMT)
and
milk
production
on
days
zero,
14,
25
and
40
afier
treatment.
Fourteen
cows
with
28
infected
udder
quarters
were
maintained
as
a
control.
Staphylococcus
aureus
and
coagulase-negative
Staphylococci
were
the
most
prevalent
microorganism
among
bacterial
isolates.
Other
pathogens
as
Bacillus
spp,
Corynebacterium
bovis,
Streptococcus
uberis
and
Escherichia
coli
were
present.
Concerning
bacteriological
healing
the
intramammaty
therapy
reached
a
61.4%
elimination
rate
of
pathogenic
bacteria
at
the
14th
day
post
treatment.
SCC
and
CMT
reactions
were
decreased
too.
However,
40
days
post-treatment
the
diffrrences
were
not
significant
(P>0.05).
No
differences
among
treated
groups
before
Reis
et
al.
and
after
intramammary
treatment
(P>0.05)
on
milk
production
were
observed.
Antibiotic
treatment
of
lactating
cows
with
subclinical
mastitis
was
not
efficient
for
controlling
the
udder
infections.
Keywords:
bovine,
subclinical
mastitis,
treatment,
SCC,
CMT,
etiology
INTRODUÇÃO
As
perdas
na
produção
de
leite
atribuídas
às
mastites
subclínicas
alcançam
de
10
a
26%
do
total
da
produção,
de
acordo
com
grau
de
intensidade
do
processo
inflamatório,
da
prevalência
da
doença,
da
patogenicidade
do
agente
infeccioso
e
do
estádio
de
lactação
(Ratnakumar
et
al.,
1996).
Além
da
diminuição
na
produção,
observa-se
perda
da
qualidade
do
leite
e
da
função
do
parênquima
glandular,
tornando
o
úbere
uma
reserva
de
patógenos.
O
animal
não
apresenta
alterações
visíveis
na
glândula,
porém
o
leite
apresenta
alta contagem
de
células
somáticas
(CCS).
Essas infecções,
além
de
contribuírem
com
significativas
perdas
econômicas,
podem
ser
consideradas
como
um
problema
sério
para
a
saúde
pública
(Tyler
et
al.,
1992;
Cardoso
et
al.,
1999).
Os
programas
de
controle
de
mastite
visam
diminuir
a
prevalência
da
doença
a
níveis
aceitáveis,
uma
vez
que
sua
erradicação
não
é
viável.
Entre
as
medidas
recomendadas
para
o
controle
das
mastites
produzidas
pela
maioria
dos
organismos
incluem-se
as
medidas
higiênicas.
Esses
procedimentos,
entretanto,
não
são
eficazes
contra
as
infecções
intramamárias
(IIM)
produzidas
por
microrganismos
de
origem
ambiental
ou
oportunistas
como
Streptococcus
uberis,
S.
dysgalactiae
ou
coliformes
(Silva
et
al.,
1998).
Assim,
encurtar
a
duração
da
IIM
é
um
importante
componente
dos
programas
de
controle
de
mastites,
o
que
pode
ser
feito
por
meio
de
tratamentos
das
mastites
subclínicas
durante
a
lactação.
Tratamentos
das
mastites
subclínicas,
causadas
principalmente
por
estafilococos
e
estreptococos,
durante
a
lactação
apresentam
resultados
variáveis
quanto
ao
sucesso
das
terapias.
Os
índices
de
recuperação
da
glândula
variam
entre
3,6%
e
92%
(Wilson,
1986;
Tyler
et
al.,
1992;
Owens
et
al.,
1993;
Ratnakumar
et
al.,
1996;
Sol
et
al.,
1997; Friton
et
al.,
1998).
Em
alguns
experimentos
os
resultados
não
foram
considerados
significativos
(McDermontt
et
al.,
1983;
Seymour
et
al.,
1989).
O
objetivo
deste
trabalho
foi
avaliar
a
eficiência
da
terapia
com
antimicrobianos
durante
a
lactação
para
o
controle
da
mastite
subclínica.
MATERIAL
E
MÉTODOS
Foram
utilizados
53
vacas
em
lactação
de
três
rebanhos
da
raça
Holandesa
ou
cruzadas,
localizados
nos
municípios
de
Matozinhos
MG
(rebanho
A),
Betim—MG
(rebanho
B)
e
Confms-MG
(rebanho
C).
Os
animais
foram
ordenhados
mecanicamente,
duas
vezes
(rebanhos
B
e
C)
ou
três
vezes
ao
dia
(rebanho
A).
Os
rebanhos
A
e
B
foram
mantidos
em
regime
de
estabulação
completa.
O
C
foi
mantido
em
regime
de
semi-estabulação.
Em
todos
os
rebanhos,
com
assistência
técnica
regular,
foram
feitos
registros
zootécnicos
da
produção.
O
funcionamento
dos
equipamentos
de
ordenha
foram
monitorados
durante
a
realização
do
experimento.
O
controle
de
mastite
foi
feito
regularmente
mediante
higienização
dos
tetos
(pré
e
pós-imersão)
e
pelo
teste
da
caneca
telada,
e
periodicamente
por
meio
do
California
Mastitis
Test
(CMT)
em
todas
as
vacas
em
lactação.
O
tratamento
de
vacas
secas
foi
adotado
como
rotina.
Quando
ocorreram
casos
clínicos
de
mastite
eles
foram
tratados
conforme
indicações
do
veterinário
responsável.
Os
animais
com
mastite
subclínica
foram
identificados
por
meio
do
teste
do
CMT.
As
amostras
de
leite
CMT
positivas
foram
colhidas
assepticamente
em
tubos
de
ensaio
e
remetidas
ao
laboratório
de
doenças
bacterianas
sob
refrigeração.
No
laboratório
foram
submetidas
à
contagem
células
somáticas
(CCS)
utilizando-se
a
técnica
da
microscopia
de
preparações
coradas
(Silva,
1977)
e
análises
microbiológicas,
2
Arq.
Bras.
Med.
VeL
Zootec,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
Antibioticoterapia
para
controle
da
mastite...
por
meio
da
semeadura
em
placas
de
ágar
sangue
de
ovino
desfibrinado
a
7,5%
e
incubadas
à
37°C
por
24-48
horas.
A
identificação
dos
microrganismos
foi
realizada
segundo
recomendações
de
Quinn
et
al.
(1994).
Susceptibilidade
in
vitro
dos
microrganismos
isolados
frente
a
antimicrobianos
foi
realizada
pelo
método
de
difusão
em
disco,
conforme
técnica
descrita
por
Bauer
et
al.
(1966),
utilizando-se
as
seguintes
bases
(Lab.
CECON-
São
Paulo):
gentamicina
(101.tg)
,
lincomicina
(2i.tg),
neomicina
(30µg),
novobiocina
(30µg),
cefoperazona
(30µg),
cefalotina
(301.tg)
e
oxacilina
(5i.tg).
A
interpretação
dos
antibiogramas
baseou-se
nas
indicações
do
National...
(2000).
Após
a
identificação
dos
53
animais
com
mastites
subclínicas,
eles
foram
separados
em
grupos
de
acordo
com
o
estádio
de
lactação:
grupo
I,
formado
por
16
animais
(29
tetos
tratados),
entre
15
e
100
dias
de
lactação;
grupo
II,
formado
por
23
animais
(54
tetos
tratados),
entre
101
e
200
dias
de
lactação;
grupo
III,
formado
por
7
animais
(
12
tetos
não
tratados
-
controle),
entre
15
e
100
dias
de
lactação
e
grupo
IV,
formado
por
7
animais
(16
tetos
não
tratados
-
controle),
entre
1001
e
200
dias
de
lactação.
Isto
foi
possível
devido
ao
fato
de
não
se
alterar
o
manejo
dos
animais
ou
as
práticas
de
controle
de
mastites.
Foram
tratados
apenas
animais
entre
15
e
200
dias
de
lactação,
escolha
baseada
em
modelos
simulados
que
sugerem
ser
este
o
período
indicado
para
tratamentos
de
mastite
subclínica
durante
a
lactação
(Tyler
et
al.,
1992),
com
bacteriologia
positiva
e
reações
ao
CMT
entre
2+
e
3+,
portanto
com
altas
CCS,
segundo
indicações
de
Seymour
et
al.
(1989).
Foram
tratados
83
tetos
infectados
de
39
animais
por
infusão
intramamária
de
250mg
de
cefacetril
sódico
(cefalotina)
(vetmast
-
Novartis
Biociências
S.A.
São
Paulo).
Essa
droga
foi
selecionada
entre
aquelas
que
apresentaram
maior
sensibilidade
às
provas
realizadas
in
vitro
e
pela
sua
disponibilidade
no
momento
de
realização
do
experimento.
As
aplicações
foram
feitas
logo
após
a
ordenha,
de
forma
que
o
produto
permanecesse
dentro
da
glândula
por
24
horas.
No
rebanho
A,
que
realiza
três
ordenhas
diárias,
os
animais
receberam
três
aplicações
com
intervalos
de
oito
horas.
Nos
demais,
os
animais
receberam
duas
aplicações
com
intervalos
de
12
horas.
Vinte
e
oito
tetos
de
14
animais
infectados
não
foram
tratados.
Recomendou-se
o
descarte
de
leite
dos
tetos
tratados
por
conterem
resíduos,
conforme
recomendações
do
fabricante
do
produto.
Os
animais
tratados
e
controle
foram
testados
nos
dias
zero,
14,
25
e
40
após
o
tratamento,
por
meio
das
provas
de
CMT,
CCS,
isolamento
e
identificação
do
patógeno.
Para
avaliar
o
efeito
do
tratamento
sobre
a
produção
de
leite
foi
realizada
a
pesagem
individual
da
produção
durante
os
cinco
dias
que
antecederam
ao
tratamento
e
nos
10
dias
posteriores.
Compararam-se
os
resultados
da
produção
de
leite
de
cada
animal
antes
e
10
e
20
após
os
tratamentos
das
mastites
subclínicas.
As
análises
estatísticas
foram
feitas
para
a
CCS
e
produção
de
leite
dos
grupos
tratados
e
controle
por
métodos
não
paramétricos
de
Kruskal-Wallis
e
pelo
teste
t
de
Student
(Sampaio,
1998).
RESULTADOS
E
DISCUSSÃO
Na
Tab.
1
estão
os
resultados
dos
exames
bacteriológicos
das
amostras
de
leite
que
apresentaram
reações
ao
CMT.
Staphylococcus
aureus
e
Staphylococcus
coagulase-negativo
(SCN)
foram
os
microrganismos
mais
isolados
(43,1%),
seguidos
por
Bacillus
spp.,
Corynebacterium
bovis,
Streptococcus
uberis
e
Escherichia
coli.
Outros
microrganismos
como
Streptococcus
dysgalactiae
e
Pseudomonas
aeruginosa,
apesar
de
serem
considerados
como
patogênicos,
participaram
em
menor
número
das
IIM.
Estes
resultados
estão
condizentes
com
os
descritos
na
literatura,
onde
90%
a
95%
das
mastites
são
produzidas
por
esses
patógenos
(Costa
et
al.,
1995;
Langoni
et
al.,
1998;
Silva,
1999).
Arq.
Bras.
Med
Vet
Zootec.,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
3
Reis
et
al.
Tabela
1.
Microrganismos
isolados
das
amostras
de
leite
que
apresentaram
reações ao
California
Mastitis
Test
Microrganismo
Isolamento
N
%
Staphylococcus
aureus
128
23,1
Staphylococcus
coagulase-negativo
111
20,0
Streptococcus
uberis
66
11,9
Streptococcus
dysgalactiae
03
0,5
Bacillus
spp
95
17,2
Corynebacterium
bovis
71
12,8
Escherichia
coli
64
11,6
Pseudomonas
aeruginosa
16
2,9
Total
554
100
Cefoperazona
e
cefalotina
apresentaram-se
como
os
mais
eficientes
antimicrobianos
contra
todas
as
amostras
de
microrganismos
testadas.
Os
níveis
de
susceptibilidade
para
essas
duas
drogas
variaram
entre
80%
e
100%,
inclusive
para
patógenos
Gram
negativos
como
P.
aeruginosa.
Antibióticos
do
grupo
dos
aminoglicosídeos,
como
a
gentamicina,
também
apresentaram
alta
susceptibilidade,
em
muitos
casos
acima
de
80%,
entretanto
foram
pouco
eficientes
contra
os
estreptococos
(<60%).
Segundo
critérios
aceitos
pelo
National
Mastitis
Council
dos
EUA
(National...,
2000),
somente
os
antimicrobianos
que
são
eficientes
in
vitro
em
pelo
menos
80%
das
amostras
testadas
deverão
ser
indicados
para
tratamento
de
mastites.
A
antibioticoterapia,
como
forma
de
controle
das
mastites
subclínicas
durante
a
lactação,
foi
avaliada
por
meio
da
redução
do
número
de
microrganismos
isolados
nos
tetos
tratados.
Na
Tab.
2
encontram-se
os
resultados
do
efeito
dos
tratamentos
intramamários
sobre
os
patógenos
associados
aos
casos
de
mastites
subclínica.
Observou-se
redução
de
61,4%
do
número
total
de
isolamentos
desses
patógenos
14
dias
após
o
início
do
tratamento.
Entre
os
dias
25
e
40
aumentou
o
número
de
microrganismos
isolados
entre
os
tetos
tratados.
Não
se
verificou
a
ocorrência
de
curas
espontâneas
entre
os
animais
do
grupo-controle.
Tabela
2.
Microrganismos
isolados
de
infecções
subclínicas
da
glândula
mamária
antes
e
após
tratamento
intramamário
com
cefacetril
sódico,
em
três
propriedades
produtoras
de
leite
Antes
14
dias
25
dias
40
dias
Microrganismo
N
N
%
de
redução
N
%
de
redução
N
%
de
redução
Staphylococcus
aureus
28
12
57,0
14
50,0
18
35,7
Staphylococcus
coagulase-negativo
25
9
64,0
15
40,0
17
32,0
Streptococcus
uberis
9
6
33,3
6
33,7
8
11,0
Streptococcus
dysgalactiae
1 1
O
1
O O
100
Bacillus
spp
19
7
63,0
7
63,0
18
5,0
Corynebacterium
bovis
15
2
84,6
5
61,5
13
O
Escherichia
coli
14
4
71,4
4
71,4
7
50,0
Pseudomonas
aeruginosa
3 3
O
3
O
3
O
Total
114
44
61,4
55
52,0
84
26,3
O
tratamento
foi
mais
eficiente
contra
C.
bovis
e
E.
coli
após
14
dias,
com
redução
de
84,6%
e
71,4%
das
infecções
intramamárias,
respectivamente.
Entretanto,
25
e
40
dias
após
início
do
tratamento
o
número
de
IIM
aumentou.
Em
relação
aos
estafilococos,
a
terapia
antibiótica
também
se
mostrou
eficiente
nos
primeiros
14
dias
após
a
aplicação
de
cefalotina
por
via
intramamária,
com
redução
de
57,0%
e
64,0%
das
infecções
produzidas
por
S.
aureus
e
SCN,
respectivamente.
Neste
caso
os
resultados
podem
ser
considerados
como
bons,
tendo
em
vista
que
o
nível
de
cura
das
mastites
subclínicas
de
origem
estafilocócica
durante
a
lactação, especialmente
as
causadas
por
S.
aureus,
é
estimado
entre
3,6%
e
92%
(Owens
et
al.,
1993;
Sol
et
al.,
1997).
A
pobre
resposta
das
mastites
por
S.
aureus
à
antibioticoterapia
tem
4
Arq.
Bras.
Med.
VeL
Zootec,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
Antibioticoterapia
para
controle
da
mastite...
sido
foco
de
uma
variedade
de
estudos
no
esforço
de
determinar
quais
são
os
fatores
responsáveis
por
falhas
na
terapia,
de
modo
que
no
futuro
os
tratamentos
sejam
mais
efetivos
(Cardoso
et
al.,
2000).
Critérios
bacteriológicos
para
avaliar
o
nível
de
cura
das
infecções
da
glândula
mamária
após
tratamento
com
antimicrobianos
foram
propostos
por
Wilson
et
al.
(1986)
e
Sol
et
al.
(1997).
Segundo
Wilson
et
al.
(1986),
uma
cultura
bacteriológica
negativa
após
14
dias
é
suficiente
para
avaliar
a
recuperação
da
glândula,
entretanto,
Sol
et
al.
(1997)
sugerem
duas
culturas
negativas
entre
os
dias
14
e
30.
Esses
autores
observaram
recidivas
após
30
dias
do
tratamento
em
infecções
produzidas
por
S.
aureus.
Considerando-se
os
aspectos
de
imunidade
e
o
tempo
de
permanência
dos
antibióticos
dentro
da
glândula,
é
difícil
manter
o
teto
livre
de
infecções
por
períodos
muito
longos.
Neste
experimento
observou-se
que
em
alguns
tipos
de
infecções
do
úbere,
dependendo
do
organismo
e
das
condições
de
manejo
de
ordenha,
podem
ocorrer
recidivas,
principalmente
para
infecções
produzidas
por
bactérias
que
podem
ter
localização
extramamária,
como
o
caso
de
S.
uberis
e
S.
aureus.
Um
dos
efeitos
do
tratamento
das
mastites
subclínicas
é
reduzir
o
número
de
tetos
infectados
e
conseqüentemente
o
número
de
novas
infecções
dentro
do
rebanho.
Neste
aspecto
vale
salientar
que
em
duas
propriedades
(A
e
C)
não
ocorreram
novos
casos
de
mastites
subclínicas
dentro
do
prazo
de
30
dias,
período
de
avaliação
da
eficiência
do
tratamento.
Considerando-se
o
critério
de
uma
cultura
bacteriológica
negativa
feita
aos
14
dias
após
tratamento,
os
resultados
obtidos
neste
experimento
são
similares
aos
publicados
por
alguns
autores
(Wilson
et
al.,
1986;
Seymour
et
al.,
1989;
Owens
et
al.,
1994;
Ratnakumar
et
al.,
1996)
ou
até
mesmo
melhores
(Tyler
et
al.,
1992;
Friton
et
al.,
1998).
Esquemas
terapêuticos
utilizados
para
tratamento
de
mastites
clínicas
ou
subclínicas
recomendam
entre
uma
e
três
aplicações
medicamentosas,
via
intramamária,
apresentando
melhores
resultados
quando
o
número
de
aplicações
é
maior
(Buragohain,
Dutta,
1989;
Tyler
et
al.,
1992;
Friton
et
al.,
1998)
ou
quando
se
faz
uma
terapia
associada
por
via
parenteral
(Owens
et
al., 1993,
1994).
Outros
autores
recomendam
a
terapia
total
como
forma
de
controlar
as
IIM
produzidas
por
estafilococos
e
estreptococos
(Tyler
et
al.,
1992;
Erskine
et
al.,
1992;
Sol
et
al.,
1997).
No
tratamento
das
mastites
subclínicas
devem
ser
levados
em
consideração
o
custo,
o
tempo
de
eliminação
dos
antibióticos
e
a
perda
de
leite.
Assim,
é
recomendado
o
menor
número
de
aplicações
visando
a
cura
dos
animais
e
o
retorno
rápido
da
produção
normal
do
leite
(Wilson
et
al.,
1986;
Cullor,
1993).
Com
base
nesses
aspectos,
os
animais
deste
experimento
foram
tratados
por
um
período
de
24
horas,
como
recomendado
por
McDermontt
et
al.
(1983),
e
os
resultados
foram
compatíveis
com
outros
obtidos
por
pesquisadores
que
utilizaram
maior
número
de
aplicações
para
o
tratamento
de
mastites
subclínicas
(Buragohain,
Dutta,
1989;
Tyler
et
al.,
1992;
Sol
et
al.,
1997;
Friton
et
al.,
1998).
Animais
portadores
de
mastites
subclínicas
não apresentam
alterações
visíveis
na
glândula,
porém
o
leite
apresenta
alta
contagem
de
células
somáticas,
sendo
este
um
dos
critérios
utilizados
para
o
seu
diagnóstico,
como
também
para
avaliar
a
qualidade
do
leite
e
as
perdas
de
produção
decorrentes
das
infecções
da
glândula
mamária
(Philpot,
1994;
Silva,
1999).
Nas
Fig.
1
e
2
encontram-se
os
resultados
das
contagens
de
células
somáticas
no
leite
de
animais
submetidos
ao
tratamento
de
mastite
subclínica.
Quatorze
dias
após
a
aplicação
do
cefacetril
sódico
houve
diminuição
da
CCS
no
grupo
tratado
em
comparação
com
a
situação
anterior
ao
tratamento
e
em
relação
ao
grupo-controle.
A
mesma
situação
pode
ser
observada
nos
resultados
da
reação
ao
CMT
nos
mesmos
períodos,
sendo
que
nas
duas
primeiras
semanas
após
o
tratamento
houve
aumento
do
percentual
de
tetos
com
reação
negativa
(Tab.
3).
Estendendo-se
o
período
de
observação
para
25
e
40
dias
verifica-se
aumento
do
conteúdo
de
CCS
e
maior
percentual
de
reações
positivas
ao
CMT,
sendo
as
diferenças
entre
os
grupos
tratados
e
entre
grupos
tratado
e
controle
não
significativas
(P>0,05).
Neste
período
ocorreram
recidivas
das
infecções
tratadas
em
alguns
animais,
principalmente
após
25
dias
do
tratamento,
o
que
justificaria
o
aumento
do
CCS
e
conseqüentemente
da
reação
ao
CMT
(Tab.
3).
Não
foram
significativas
as
diferenças
entre
os
grupos
(P>0,05)
14,
25
e
40
dias
após
o
tratamento,
evidenciando
que
o
estádio
da
lactação
não
teve
influência
nos
resultados.
Sabe-se
que
o
conteúdo
de
Arq.
Bras.
Med
Vet
Zootec.,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
5
Reis
et
al.
células
somáticas
é
influenciado
pelo
estádio
da
lactação,
entretanto,
este
não
foi
o
objeto
deste
trabalho,
que
visou
analisar
somente
o
efeito
do
tratamento
sobre
a
qualidade
do
leite
de
vacas
"curadas"
de
mastite
subclínica.
Nos
primeiros
14
dias,
a
diminuição
do
número
de
células
dos
grupos
tratados
foi
diretamente
relacionada
à
redução
da
taxa
de
infecções,
mostrada
pela
redução
do
percentual
de
microrganismos
isolados.
Estas
observações
contradizem
determinados
modelos
simulados
para
tratamentos
de
mastite
subclínicas
que
sugerem
ser
o
período
inicial
de
lactação
o
mais
propício
para
o
tratamento,
não
pelos
aspectos
econômicos
como
pela
maior
capacidade
de
recuperação
da
glândula
(Tyler
et
al.,
1992).
Pode-
se
deduzir
que
a
eficiência
do
tratamento,
além
da
susceptibilidade
dos
agentes
patogênicos
frente
aos
antimicrobianos,
está
relacionada
à
manutenção
da
droga
dentro
do
úbere
pelo
menos
por
24
horas.
Segundo
McDermontt
et
al.
(1983)
e
Seymour
et
al.
(1989),
alta
CCS
ou
reações
CMT
positivas
podem
ocorrer
por
causa
de
infecções
fora
da
glândula
mamária.
Dessa
maneira,
aconselham que
os
tratamentos
baseados
apenas
em
CCS
devam
ser
realizados
em
animais
que
apresentem
contagens
acima
10
6
células/ml.
Neste
trabalho
apenas
tetos
com
alta
CCS
e
bacteriologia
positiva
receberam
tratamento
intramamário.
lil
15-100
dias
de
lactação
E
101-200
dias
de
lactação
1
1
1
14
25
40
3,50
3,00
1
2,50
2,00
oe
e
1,50
-
o
1,00
-
0,50
-
0,00
o
Dias
após
tratamento
Figura
1.
Contagem
de
células
somáticas
em
vacas
com
mastite
subclínica
antes
e
após
tratamento
intramamário
com
cefacetril
sódico,
distribuídas
segundo
o
estádio
da
lactação.
Cl
15-100
dias
de
lactaçrto
2,50
-
101-200
dias
de
lactação
2,00
-
1
,..---
1,50
-
o
,--,
>4
0
'''
1,00
-
U
0,50
-
0,00
O
14
25
40
Dias
após
tratamento
Figura
2.
Contagem
de
células
somáticas
em
vacas
com
mastite subclínica
(grupo-controle)
distribuídas
segundo
o
estádio
da
lactação.
1
i
,
ki
1
6
Arq.
Bras.
Med.
VeL
Zootec,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
Estádio
da
lactação
0
10
20
0
10
20
Tratado
Controle
Produção
média
de
leite
após
tratamento
Rebanho
Antibioticoterapia
para
controle
da
mastite...
Tabela
3.
Resultado
da
reação
ao
California
Mastitis
Test
realizado
segundo
o
grupo
e
dias
após
o
tratamento
da
mastite
subclínica
com
aplicação
intramamária
de
cefacetril
sódico
Grupo
de
tetos
O
1+
%
2+
%
3+
%
N
%
1
64
5
7,8
19
29,7
10
15,6
30
46,9
II
112
5
4,5
35
31,3
19
17,0
31
27,7
III
30
O O
9
30,0
3
10,0
18
60,0
IV
27
1
3,7
12
44,4
4
14,8
10
37,0
Grupo
de
tetos
14°
dia
1+
%
2+
%
3+
%
N
%
1
64
3
4,7
4
6,3
1
1,6
54
84,4
II
112
10
8,9
8
7,1
11
9,8
61
54,4
III
30
3
10,0
6
20,0
1
3,3
21
70,0
IV
27
4
14,8
4
14,8
1
3,7
18
66,7
Grupo
de
tetos
25°
dia
1+
%
2+
%
3+
%
N
%
1
64
9
10,1
8
12,5
5
7,8
42
65,6
II
112
12
10,7
12
10,7
16
5,4
52
46,4
III
30
3
10,0
5
16,7
3
10,0
19
63,3
IV
27
3
9,4
4
14,8
3
9,4
17
63
Grupo
de
tetos
40°
dia
1+
%
2+
%
3+
%
N
%
1
64
7
10,9
7
10,9
12
18,8
38
59,4
II
112
6
5,4
16
14,3
15
13,4
52
46,4
III
30
2
6,7
4
13,3
5
16,7
19
63,3
IV
27
2
7,4
10
37,0
1
3,7
14
51,9
Grupo
1-
15
a
100
dias
de
lactação
-
tratado;
grupo
II
-
101
a
200
dias
de
lactação
-
tratado;
grupo
III
-
15
a
100
dias
de
lactação
-
não
tratado;
grupo
IV
-
101
a
200
de
lactação
-
não
tratado.
O
efeito
do
tratamento
de
animais
com
mastite
subclínica
sobre
a
produção
de
leite
é
mostrado
na
Tab.
4.
A
média
de
produção
de
leite
dos
animais
dos
grupos
tratados
e
controle
foi
comparada
antes
e
após
o
tratamento.
Não
houve
diferenças
significativas
entre
os
grupos
tratados
e
entre
estes
e
o
controle
(P>0,05).
Estes
resultados
são
similares
aos
descritos
por
McDermontt
et
al.
(1983)
e
Seymour
et
al.
(1989),
que
também
não
observaram
diferenças
significativas
quanto
ao
aumento
de
produção
após
tratamento
de
vacas
com
mastite
subclínica
durante
a
lactação.
Outros
autores,
entretanto,
observaram
que
após
o
tratamento
a
média
de
produção
de
leite
aumentou
em
0,89
1/vaca/dia
(Buragohain,
Duna,
1989)
Tabela
4.
Produção
média
de
leite
(kg/dia)
após
tratamento
da
mastite
subclínica
com
aplicação
intramamária
de
cefacetril
sódico
A
B
C
15-100
28,07
30,81
27,07
31,57
31,68
33,67
101-200
32,10
31,20
31,04
36,63
37,48
36,67
15-100
30,90
29,50
23,10
29,55
29,50
29,05
101-200
17,50
17,32
16,60
22,16
21,80
21,10
15-100
7,70
7,52
5,02
7,60
7,48
4,80
101-200
7,48
7,40
4,80
7,78
7,60
4,95
AGRADECIMENTOS
Arq.
Bras.
Med
Vet
Zootec.,
v.55,
n.6,
p.651-658,
2003
7
Reis
et
al.
Os
autores
agradecem
o
apoio
fmanceiro
da
FAPEMIG
(Fundação
de
Amparo
à
Pesquisa
do
Estado
de
Minas
Gerais)
realizado
através
do
projeto
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