Dried tomato pulp in growing and finishing swine rations


Kronka, R.N.; Spers, A.; Silveira, J.J.N.; Castro, F.G.Jr; Rodrigues, A.J.

Bulletin of Animal Husbandry 27/28: 101-107

1970


Estudou-se, no presente experimento, o emprego do subproduto da industrialização do tomate em rações de suínos em crescimento e acabamento. Foram utilizados 30 animais das raças Duroc, Piau e Berkshire sendo 15 fêmeas e 15 machos castrados. O experimento constou de 5 rações. A ração testemunha (A) continha como principal fonte de proteína o farelo de soja. Nas rações B, C, D e E, respectivamente 25, 50, 75 e 100% da proteína fornecida pelo farelo de soja foi substituida pelo farelo de tomate. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, em esquema fatorial 5 × 2, com 3 repetições. Os fatores eram: Rações e Sexos O experimento teve duração de 84 dias e os índices de controle foram: ganho de peso e conversão alimentar. Com relação ao ganho de peso e conversão alimentar, verificou-se que à medida que se aumentaram as porcentagens de resíduo da industrialização do tomate nas rações, houve um significativo decréscimo de ganho de peso e conversão segundo uma linha reta.

SUBPRODUTO
DA
INDUSTRIALIZAÇÃO
DO
TOMATE
EM
RAÇÕES
DE
SUÍNOS
EM
CRESCIMENTO
E
ACABAMENTO
(Dried
tomato
pulp
in
growing
and
finishing
swine
rations)
RODOLFO
N.
KRONKA
(
1
),
ALEKSANDRS
SPERS
(
2
),
JULIO
J.
N.
SILVEIRA
(
1
),
FERNANDO
GOMES
CASTRO
JR.
(
3
)
e
ALBINO
J.
RODRIGUES
(
2
)
SINOPSE
Estudou-se,
no
presente
experimento,
o
emprego
do
subproduto
da
industrialização
do
tomate
em
rações
de
suínos
em
crescimento
e
acabamento.
Foram
utilizados
30
animais
das
raças
Duroc,
Piau
e
Berkshire
sendo
15
fêmeas
e
15
machos
castrados.
O
experimento
constou
de
5
rações.
A
ração
testemunha
(A)
continha
como
principal
fonte
de
proteína
o
farelo
de
soja.
Nas
rações
B,
C,
D
e
E,
respectivamente
25,
50,
75
e
100%
da
proteína
fornecida
pelo
farelo
de
soja
foi
substituida
pelo
farelo
de
tomate.
O
delineamento
experimental
foi
de
blocos
ao
acaso,
em
esquema
fatorial
5
x
2,
com
3
repetições.
Os
fatores
eram:
Rações
e
Sexos
O
experimento
teve
duração
de
84
dias
e
os
índices
de
controle
foram:
ganho
de
peso
e
conversão
alimentar.
Com
relação
ao
ganho
de
peso
e
conversão
alimentar,
verificou-se
que
à
medida
que
se
aumentaram
as
porcentagens
de
resíduo
da
industrializa-
ção
do
tomate
nas
rações,
houve
um
significativo
decréscimo
de
ganho
de
peso
e
conversão
segundo
uma
linha
reta.
INTRODUÇÃO
Extensa
área
do
Estado
de
São
Paulo
dedica-se
à
cultura
do
tomate,
com
uma
produção
aproximada
de
300
.000
toneladas
(INSTI-
TUTO
BRASILEIRO
DE
GEOGRAFIA
(
2
))
.
Grande
parte
da
produção
é
industrializada,
preparando-se
concen-
trados,
sucos
e
outros
produtos
.
Da
industrialização
do
tomate
resulta
um
subproduto
com
aproxi-
madamente
20%
de
proteína
bruta.
LECH
et
alii
(3
)
estudaram
a
composição
química
e
níveis
de
amino-
ácidos
da
semente
do
tomate
.
Foi
observado
que
a
semente
do
tomate
apresenta
25,3%
de
proteína
bruta
e
que
o
valor
nutritivo
da
semente
corresponde
a
50%
do
valor
nutritivo
do
ovo
de
galinha
.
(1)
Da
Seção
de
Nutrição
de
Não
Ruminantes
da
Divisão
de
Nutrição
Animal
e
Pastagens.
(2)
Da
Seção
de
Suinocultura
da
Divisão
de
Zootecnia
Diversificada.
(3)
Da
Faculdade
de
Ciências
Médicas
e
Biológicas
de
Botucatu.
101
Boletim
de
Indústria
Animal
S.P.,
n.s.
27/28
(único)
1970/71
MAYMONE
&
TIBERIO
( 1 )
estudaram
o
valor
nutritivo
do
resíduo
da
industrialização
do
tomate
em
ensaios
com
ratos
.
Concluiram
que
esse
subproduto
apresenta
uma
proteína
comparável
com
a
proteína
de
se-
mentes
oleaginosas
.
McCAy
&
SMITH
(')
denominaram
resíduo
da
extração
do
suco
de
tomate
o
resíduo
seco
que
fica
depois
da
preparação
do
suco
de
tomate.
A
composição
desse
resíduo
era:
proteína
24%;
extrato
etéreo
14%;
fi-
bra
33%;
cinza
4%;
umidade
7%
.
ESSELEN
&
FELLERS
(
1
)
estudando
o
valor
nutritivo
do
resíduo
seco
da
extração
do
suco
do
tomate,
concluíram
que
esse
resíduo
é
boa
fonte
de
vitamina
B,
e
fonte
razoável
de
vitaminas
A
e
B.
.
Esse
resí-
`
duo
é
palatável
para
suínos,
vacas
e
aves
quando
fornecido
aos
níveis
de
10
a
15%
da
ração.
MATERIAL
E
MÉTODO
O
presente
experimento
foi
realizado
na
Divisão
de
Nutrição
Ani-
mal
e
Pastagens,
Nova
Odessa,
e
teve
a
duração
de
84
dias
.
Foram
utilizados
30
animais
(15
fêmeas
e
15
machos
castrados)
das
raças
Duroc,
Piau
e
Berkshire
com
a
idade
aproximada
de
4
meses,
no
início
do
experimento
.
Os
animais
antes
do
início
do
experimento
foram
vermifugados
e
vacinados.
As
pesagens
foram
feitas
com
intervalos
de
14
dias,
pela
manhã
e
com
os
animais
em
jejum.
A
ração
foi
fornecida
duas
vêzes
ao
dia
e
o
controle
de
consumo
diário
era
feito
individualmente
.
As
rações
utilizadas
estão
contidas
no
quadrb
I.
QUADRO
I
Composição
das
Rações
Ingr
e-
dientes
A
Cresc.
Acab.
E
Cresc.
Acab.
C
Cresc.
Acab.
D
Cresc.
Acab.
E
Cresc.
Acab.
Milho
76,0
83,4
.
70,7
80,3
65,3
76,5
58,6
71,6
50,0
66,8
Far.
soja
13,0
9,0
10,8
7,2
7,7
5,2
4,2
2,9
- -
Far.
tomate
- -
7,5
5,0
16,0
10,8
26,2
18,0
39,0
26,0
Far.
carne
4,0
--
4,0
-
4,0
-
4,0
-
I
4,0
-
Feno
alfafa
6,0
6,0
6,0
6,0
6,0
6,0
6,0
6,0
6,0
6,0
Sais
minerais
0,5
-
0,5
-
0,5
-
0,5
-
0,5
-
Far.
osso
-
1,1
-
1,0
-
1,0
-
1,0
-
1.0
Sal
comum
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5 0,5
0,5
0,5
-
102
-
Boletim
de
Indústria
Animal
S.P.,
n.s.
27/28
(único)
1970/71
A
ração
de
crescimento
foi
dada
até
que
os
animais
de
um
dos
tratamentos
atingissem
o
peso
médio
de
50
kg
.
Depois,
até
o
término
do
experimento,
receberam
as
rações
de
acabamento
.
A
análise
bromatológica
do
resíduo
da
industrialização
do
tomate
está
contida
no
quadro
II.
QUADRO
II
Composição
Química
do
Resíduo
da
Industrialização
do
Tomate
Matéria
seca
91,76
Proteína
21,56
Extrato
etéreo
11,58
Matéria
fibrosa
25,98
Matéria
mineral
8,89
E.
N.
N.
24,15
Cálcio
0,66
Fósforo
0,42
RESULTADOS
E
DISCUSSÃO
No
quadro
III
são
apresentados
os
ganhos
de
peso
ao
final
do
expe-
rimento
(84
dias)
e
o
quadro
IV
mostra
a
análise
de
variância
destes
dados
.
QUADRO III
Genhos
de
Peso
em
84
dias
Blocos
RAÇÕES
blocos
A
B
Totais
C
D
E
Machos
I
64,0
66,5
47,5
55,5
34,0
267,5
II
67,5
62,5
63,5
39,5
39,0
272,0
III
68,5
56,0
51,5
43,0
24,0
243,0
Fêmeas
I
77,0
68,0
63,5
35,0
33,0
276,5
II
54,0
44,5 46,5
27,5
35,0
207,5
III
55,5
52,0
42,0
36,0
30,5
216,0
Totais
por
tratamento
386,5
349,5
314,5
236,5
195,5
1.482,5
-
103
--
F.V.
G.L.
S.Q.
F.
Boletim
de
Indústria
Animal
S.P•,
n.s.
27/28
(único)
1970/71
QUADRO
IV
Análise
de
variância
dos
Ganhos
de
Peso
Regressão
Linear
Desvios
da
Regressão
1
3
4.083,75
88,58
4.083,75
29,53
89,34**
0,65
(Rações
(R)
)
(4)
(4.172,33)
Sexos
(S)
1
226,87
226,87
4,96*
Interação
R
x
S
4
152,34
38,08
0,83
Blocos
d.
Sexos
4
662,67
165,67
3,62*
Resíduo
16
731,33
45,71
Total
29
5.945,54
Os
ganhos
de
peso
apresentaram
uma
variação
que
obedeceu
a
seguinte
equação:
Y
=
65,92
0,33
X
onde:
X
=
porcentagem
de
proteína
da
soja
substituida
pelo
fa-
relo
de
tomate.
Y
=
ganho
de
peso.
Com
o
aumento
das
porcentagens
de
resíduo
da
industrialização
do
tomate
na
ração,
o
ganho
de
peso
diminuiu,
significativamente,
se-
gundo
uma
linha
reta
.
As
médias
de
ganho
de
peso,
com
erro
padrão
de
2,76
kg,
foram:
Ração
A
=
64,42
kg
Ração
B
=
58,25
kg
Ração
C
=
52,42
kg
Ração
D
=
39,42
kg
Ração
E
-=
32,58
kg
As
médias
para
sexos,
com
erro
padrão
de
1,75
kg,
foram:
MACHOS
=
52,17kg
ni
FÊMEAS
=
46,67
kg
O
coeficiente
de
variação
foi
de
13,68%
.
Observou-se
diferença
significativa
entre
sexos
e
entre
blocos
den-
tro
de
sexos.
Os
índices
de
conversão
obtidos
e
a
respectiva
análise
de
variância
encontram-se
nos
quadros
V
e
VI.
104
Boletim
de
Indústria
Animal
S.P.,
n.s.
27/28
(único)
1970/71
QUADRO
V
1
índices
de
Conversão
Blocos
Rações
blocos
A
B
Totais
C
D
E
Machos
I
3,82
4,15
3,95
4,24
4,68
20,84
II
3,78
3,84
3,91
4,58
4,22
20,33
III
3,17
3,32
3,30
3,93
4,24
17,96
Fêmeas
I
3,83
3,92
3,89
4,74
5,10
21,48
II
3,44
4,24
3,62
4,84
4,44
20,5
.
8
III
3,80
3,53
4,02
4,21
5,34
20,90
Totais
por
tratamento
21,84
'
23,00
22,69
26,54
28,02
122,09
QUADRO
VI
Análise
de
variância
dos
índices
de
Conversão
F.V.
G.
L.
S.
Q
.
Q
.M.
F.
Regressão
Linear
1
4,2135
4,2135
52,08**
Desvios
da
Regressão
3
0,6399
0,2133
2,64
(Rações
(R)
)
(4)
(4,8534)
-
-
Sexos
(S)
1
0,4890
0,4890
6,04*
Interação
R
x
S
4
0,2577
0.0644
0,80
Blocos
d.
Sexos
4
1,0280
0,2570"
3,17*
Resíduo
16
1,2942
0,0809
-
Total
29
7,9233
-
-
Os
índices
de
conversão
apresentaram
uma
variação
que
obedeceu
a
seguinte
equiação:
Y
-=
3,5397
+
0,0106
X
onde:
Y
=
Conversão.
X
=
Porcentagens
de
proteína
de
soja
substitiudas
pelo
fa-
relo
de
tomate
.
-
105
-
Boletim
de
Indústria
Animal
S.P.,
n.s.
27/28
(único)
1970/71
Com
o
aumento
das
porcentagens
do
resíduo
da
industrialização
do
tomate
na
ração
o
índice
de
conversão
piorou,
significativamente,
segundo
uma
linha
reta
.
As
médias
de
conversão,
com
erro
padrão
de
0,11,
foram:
Ração
A
=
3,64
Ração
B
=
3,83
Ração
C
=
3,78
Ração
D
4,42
Ração
E
=
4,67
As
médias
para
sexos,
com
erro
padrão
de
0,07
foram:
m
MACHOS
=
3,94
m
FÊMEAS
-
4,20
O
coeficiente
de
variação
foi
de
6,88%
.
Observaram-se
diferenças
significativas
entre
sexo
e
entre
blocos,
dentro
de
sexos.
A
utilização
do
farelo
de
tomate
em
níveis
crescentes
nas
rações
diminuiu
o
nível
energético
e
elevou
o
teor
de
fibra
das
mesmas
e
esses
fatores
podem
ter
contribuido
para
diminuir
o
ganho
de
peso
dos
animais
.
Na
conversão
alimentar
os
resultados
acompanharam
os
índices
registrados
com
relação
aos
ganhos
de
peso,
observando-se
que
as
me-
lhores
conversões
foram
obtidas
com
os
tratamentos
que
deram
o
me-
lhor
ganho
de
peso
.
CONCLUSÕES
O
experimento
teve
por
objetivo
testar
o
emprego
do
subproduto
da
industrialização
do
tomate
nas
rações
de
suínos
.
Os
índices
de
controle
foram
o
ganho
de
peso
e
a
conversão
ali-
mentar;
a
duração
do
experimento
foi
de
84
dias.
Verificou-se
que,
com
o
aumento
das
porcentagens
do
resíduo
da
industrialização
do
tomate
na
ração,
acentuaram-se
as
quedas
nos
ganhos
de
peso
e
os
índices
de
conversão
alimentar
aumentaram
se-
gundo
uma
linha
reta
.
Contudo,
os
níveis
de
7,5%
e
5%
desse
produto
da
industrialização
do
tomate
empregados
na
ração
B,
para
crescimento
e
acabamento,
respectivamente,
deram
resultados
que
podem
ser
considerados
sa-
tisfatórios
.
SUMMAR
Y
A
feeding
trial
was
conducted
to
evoluate
the
nutritive
value
of
dried
tomato
pulp
in
growing
and
finishing
swine
rations
106
Boletim
de
Indústria
Animal
S.P.,
n.s.
27/28
(único)
1970/71
Thirty
animais,
Duroc-Jersey,
Piau
and
Berkshire,
15
females
and
15
castrated
males,
with
an
average
weight
of
45
kg
at
the
beginning
of
the
experiment,
were
used
.
Five
rations
were
fed.
The
control
ration
(A)
contained
soybean
meai
as
the
main
protein
source
.
In
the
rations
B,
C,
D
and
E,
respectively
25,
50,
75
and
100%
of
the
soybean
protein
was
replaced
by
dried
tomato
pulp
protein.,
The
experiment
was
conducted
during
an
84
day
period.
Weight
gain
and
feed
conversion
data
were
taken
each
14
days.
The
final
results
showed
that
as
the
dried
tomato
pulp
was
increased
in
the
rations
there
was
a
higly
significant
decrease
in
the
wieght
gain
and
feed
conversion.
AGRADECIMENTOS
Os
autores
agradecem
à
Companhia
Industrial
e
Mercantil
Paoletti
pelo
fornecimento
do
subproduto
da
industrialização
do
tomate
utili-
zado
no
experimento.
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--
107